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Colméia

ESTABILIDADE
NACIONAL OU AMPARO
AOS BANQUEIROS SUSTENTADORES DO SISTEMA?
A grande preocupação dos empreendedores é a busca por financiamentos a longo prazo e com juros baixos. Vida de brasileiro com grandes idéias, esbarra-se na realidade de falta de recursos financeiros para levar avante os empreendimentos almejados.
Evidentemente, para os empreendimentos andar, precisam de financiamentos e as Instituições financeiras não entram nessa "onda" de desenvolvimento sustentável por simples trabalho abnegado. Elas sabem que ganharão muito com isso. Dá lucro ajudar e provocar a organização popular, a preservação ambiental! Investir no bem-estar do povo, dá lucros futuros! Atrasados são os políticos que não sabem ver isso!
Mas será tudo nas mil maravilhas? Vamos analisar!
Nenhuma Instituição Bancária investe sem almejar bons lucros: isso não é novidade.
Na chamada "Era FHC", o Brasil transformou-se no paraíso dos banqueiros. As Instituições Bancárias foram as mais beneficiadas pelo Plano Real. Um estudo feito pela "Austin Asis", uma das maiores empresas do país especializada em análise de balanços de instituições financeiras, mostra que os Bancos já acumularam na era FHC pouco mais de 21 bilhões de Reais em lucros! É uma montanha de dinheiro suficiente, por exemplo, para construir um milhão de casas populares. Daria para sustentar a Previdência Social por quatro meses seguidos. Equivale a um ano da receita da União com arrecadação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Essa soma é, coincidentemente (?) igual à concedida pelo Governo Federal em socorro de bancos com problemas de caixa, o chamado PROER.
O lucro dos 30 maiores bancos cresceu 313% de dezembro de 1994 até dezembro do ano passado. E 2001 será o melhor ano dos bancos na era FHC!
Boa parte dos lucros dos bancos pode ser justificada pela diferença entre o dinheiro que os bancos pegam no mercado e quanto ganham ao emprestar para empresas e pessoas físicas. Os analistas chamam isto de altos "spreads". O ganho bruto dos bancos brasileiros com financiamentos para empresas é de 30% e de 63% no caso das pessoas físicas. Em países desenvolvidos, como nos Estados Unidos ou na Inglaterra, por exemplo, esse ganho fica entre 5% ao ano e dificilmente ultrapassa os 10% ao ano!
O Professor Alberto Borges Matias, da UNICAMP, constata que a maior parte do ganho não veio da operação em si, mas principalmente de ganhos com o câmbio, como aconteceu este ano e na desvalorização de 1999 e pelo não pagamento de Imposto de Renda. Quando um banco compra outra instituição que tem prejuízo é possível abater o pagamento do Imposto de Renda!
A cobrança de tarifas dos serviços prestados é outro fator que aumenta o ganho dos bancos. Enquanto o Governo Federal propagou a "estabilização econômica", paralelamente proporcionou os bancos ganhar com as tarifas bancárias. De acordo com o analista da "Lopes Filho", Joel SantAnna, 90% dos custos do Itaú, por exemplo, são cobertos pela cobrança de tarifa (banco que lucrou R$2,1 bilhões até setembro de 2001)!
O Plano Real mudou radicalmente a realidade dos Bancos. Sem a correção monetária, os bancos se voltaram para o crédito, ocasionando o endividamento geral da população levada pelas lábias de créditos fáceis, sem observar os juros.
Mesmo com a estabilização, o Plano Real provou algumas distorções na economia e na vida dos brasileiros. De acordo com o instituto de pesquisas Atlântico, para manter seus gastos e reestruturar dívidas dos demais níveis de governo, a administração Fernando Henrique recorreu ao endividamento, que praticamente dobrou em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).
Para se ter idéia do que isso representou, de acordo com o Instituto Atlântico, de 1995 ao ano 2000, o pagamento de juros com a dívida pública absorveu 16,9% dos recursos da economia, enquanto a administração pública pegou a fatia de 6,3%. Ao mesmo tempo, o salário mínimo se apropriou de apenas 1,4% dos ''recursos do Real'' e o rendimento médio da iniciativa privada caiu 0,7%.
Essa montanha de dinheiro equivale...
à compra de 1,053 milhão de casas populares - conjunto habitacional de porte suficiente para abrigar uma população de 5,2 milhões de habitantes, igual à do Estado de Santa Catarina
Vemos as falhas dos
Poderes Legislativos Nacionais, diante de tais injustiças. Deveriam
criar Leis
amparando os cidadãos, regulamentando a distribuição desses lucros e
impedindo desníveis sociais. Paralelamente ao aumento de
lucros bancários, aumentaram as demissões de empregados da Rede Bancária, ao
invés de aumentar o oferecimento de ofertas de empregos e investimentos sociais
provindos desses lucros. As filas nos bancos são grandes, enquanto poucos
funcionários são responsabilizados para atender os usuários. O setor informal
cresceu na corrida pela sobrevivência das pessoas desempregadas.
Ao saber das
estatísticas, ficamos mais chocados com
a brutalidade desse Sistema Capitalista
Selvagem, onde o egoísmo é atributo principal de apresentação "das
coisas bem sucedidas"!... A partilha, atributo cristão primordial, não
tem lugar nesse aspecto da dita ORGANIZAÇÃO SÓCIO-POLÍTICA E ECONÔMICA!
A falta de distribuição de renda, de equilíbrio entre Capital e Trabalho, gera caos social, aumenta a miséria dos Cidadãos Brasileiros, enquanto os lucros vão para os bolsos dos banqueiros a cada dia mais ricos, sob amparo de um Sistema Político-Econômico grotesco e injusto!...
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Jaorish Gomes Telles
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